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História da infâmia. E outras Histórias Petistas.

segunda-feira

Gabriel e as Loiras

Durante estes dias de crise aqui no brasil, crise politica,ética e moral, as instituições falindo por inoperância, tanto por culpa deste desgoverno eleito por maioria, e hoje rejeitado por totalidade da população, poucas coisas revertem meu mal humor,uma delas é o meu filho de 12 anos que até um dia atras, ainda acreditava em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa, hoje já dedilha alguns solos em uma guitarra estratocaster novinha que ganhou de natal. As suas peripécias são condizentes a sua pouca idade, mas não o subestimem elas não são poucas, outro dia, em uma daquelas ironias da vida
fui contratado na mesma empresa que trabalha minha ex-esposa, por sinal mãe da criaturinha em questão o Gabriel, Mal havia iniciado meu expediente vejo Márcia (a mãe) cruzar por mim e dirigir se para sua sala com o rosto vermelho, de quem estava com muito calor, ou muita vergonha, mal cumprimentou, e foi trabalhar, apos alguns instantes meu telefone toca, era márcia apavorada e não sabia o que fazer com nosso outrora bebezinho, relata-me que apos chegar em seu apartamento, como de costume faz uma varredura no histórico da internet, e lá encontra um site "Loiras Peitudas", bom a casa caiu, acabou a festa do moleque. ainda no panico da situação ela me pergunta oque ele queria entrando neste site, não contive uma gargalhada como algum tempo não fazia, bem são inimagináveis as possibilidades, mas concordo que ele é muito novinho para estar frequentando este tipo de site. O controle com a internet de nossos filhos deve ser total, todos os esforços ainda são poucos, restringir o acesso a sites adultos é quase ineficaz, sempre ha uma maneira de burlar as proteções, o que funciona é a vigilância diária
na internet e no moleque.     

sexta-feira

Porque defender o voto Facultativo !

A muito tempo, tenho mantido a minha opinião de ser favorável, ao voto facultativo. Com o argumento de melhorar a qualidade do Politico Brasileiro, pois os mesmos,teriam que modificar, substituir seu discurso por trabalho, realizações, mostrar que,estão ali porque fizeram por merecer, e tornariam-se merecedores da nossa atenção e voto. Esta obrigatoriedade do voto, como nos é imposto, foi herdado das épocas dos coronéis, que agrupavam as pessoas que dependiam deles de uma forma ou outra, e eram obrigados a votar neles próprios ou em suas indicações, baseado neste fato surge o termo "voto a cabresto", porque realmente o povo era acabrestado, amarrado o voto, como uns referem-se até hoje , com o passar dos tempos, surgia outro termo, usado ate pouco, principalmente aqui no sul do Pais, o "Curral Eleitoral", que consistia em um grupo de eleitores, comprometido com seus votos, era o voto certo, o que não iria falhar na hora do Pleito. Hoje as pessoas sendo obrigadas a votar, cometem os maiores erros, votam por motivos fúteis, como, voto no candidato A porque ele já me quebrou um galho na prefeitura, ou arrumou uma boquinha publica para meu primo, motivos que nada contribuem para com o todo da sociedade, com o voto facultativo seria impossível, para cada politico, quebrar tanto galho assim,descolar tanta boquinha, para atingir o numero necessário de votos para uma eleição. Nós todos ainda somos colocados nas contas Politicas como "Currais Eleitorais". Com a chegada, de cada nova Eleição, os Políticos começam a contabilizar seus currais, tendo em mãos, o numero de Habitantes de cada localidade, torna-se fácil, é só uma boquinha aqui,um galhosinho ali, um pouquinho de assistencialismo aqui, e "Presto" tá eleito o candidato, infelizmente é assim que a banda toca, claro é a minha opinião, respeito a opinião de qualquer pessoa, mas está muito difícil, de ficar convencido, que um sistema eleitoral, imposto por coronéis, ditaduras, e conveniência de alguns políticos, seja o melhor para o Brasil.

QUANDO MORRE UM MITO.2º Parte.(O PLEBISCITO)

Estou republicando este testo, pois na atualidade, tem muita gente adulta passando por este trauma, a verdade batendo em suas portas, com todos os acontecimentos, o povo nas ruas, mostrando que apesar de tudo, estamos atentos ao que acontece à nossa volta, e a constatação que muitos mitos, ídolos, estão morrendo, ainda que de uma forma traumática  a verdade vem a tona, e impotentes aos fatos, apenas paramos e olhamos boque abertos a tudo .
Estava em frente a pia, fazendo minha barba, pensando no livro de James Joice" Ulisses"(até que a situação era parecida), quando meu filho de oito anos pede para entrar, ao sentar, ficou observando-me, eu fico tranqüilo e continuo com meus pensamentos, mas agora, voltados na crise da líbia, ao assassinato do Kadafi, a tragédia que a esquerda Brasileira tornou-se, a inoperância da classe sindical, agora governista, e antes de aprofundar minhas teorias, meu sangue gela, ouvindo aquela palavra, que frequentemente antecede alguma pergunta constrangedora "PAPAI? O PAPAI NOEL NÃO EXISTE MESMO?
Eu com aquela cara de moleque que foi pego, fazendo arte, temeroso perguntei, porque desta indagação? ele respondeu: Para um cara que eu nunca vejo, só da presente, se os pais das crianças puderem pagar pelos mesmos, ouvi quando tu, estava explicando para a mamãe, que este modelo de papai noel foi inventado pela empresa Coca-Cola, sem falar, que mesmo eu fingindo que estou dormindo, e tento surpreende-lo, ele sempre escapa,!!!! Após varias explicações, e uma ginástica verbal, e todas possíveis variáveis e porquês, "PAPAI TU TA ME ENROLANDO" fiquei triste porque naquele momento, morria o primeiro ídolo de meu filho, e sua ingenuidade de criança começava a agonizar, e eu não fui hábil, o bastante em minhas explicações, mas, por outro lado, fiquei feliz por sua clareza, e análise de conjuntura, melhor que muitos políticos Brasileiros, resolvi , no próximo pleito,´vou votar no meu moleque. Segundo a mãe dele, eu deveria ter aproveitado e falado a verdade sobre o coelhinho da pascoa. Mais uma vez tenho que, fazer o papel de vilão nesta historia,desta vez, falar que um Plebiscito,seria apenas mais uma manobra politica para continuar cabresteando o eleitor, e que na verdade o certo seria um referendo e não um plebiscito, e que apesar de todo este quebra quebra, e todo este barulho das massas na rua reivindicando mudanças, continuaremos com os mesmos políticos corruptos, a desfalcar os cofres públicos sem que nada ou ninguém os detenham. a minha esperança é que o povo olhe bem nos olhos da nossa presidente Dilma e digam  "DILMA TU TA ME ENROLANDO" E que papai noel e coelhinho da pascoa não existem.

terça-feira

HISTÓRIA DO HINO RIO-GRANDENSE (ao meu amigo Ruy Braz)


HISTÓRIA DO HINO 
RIO-GRANDENSE
               
LETRAS E AUTORES
O Hino Rio-Grandense que hoje cantamos tem a sua história particular e, porque não dizer, peculiar. Porque muitas controvérsias apresentou, desde seus tempos de criação até os tempos de então. Oficialmente existe o registro de três letras para o hino, desde os tempos do Decênio Heróico até aos nossos dias. Num espaço de tempo de quase um século foram utilizadas três letras diferentes até que finalmente foi resolvido, por uma comissão abalizada, que somente um deles deveria figurar como hino oficial.

O PRIMEIRO HINO
A história real do Hino, começa com a tomada da então Vila de Rio Pardo, pelas forças revolucionárias farroupilhas. Ocasião em que foram aprisionados uma unidade do Exército Imperial, o 2° Batalhão, inclusive com a sua banda de música. E o mestre desta banda musical, Joaquim José de Mendanha, mineiro de nascimento que também foi feito prisioneiro era um músico muito famoso e considerado um grande compositor. Após a sua prisão ele, Mendanha, teria sido convencido a compor uma peça musical que homenageasse a vitória das forças farroupilhas, ou seja a brilhante vitória de 30 de abril de 1838, no célebre “Combate de Rio Pardo”.
Mendanha, diante das circunstâncias, resolveu compor uma música que, segundo alguns autores, era um plágio de uma valsa de Strauss. A melodia composta por Mendanha era apenas musicada. E o capitão Serafim José de Alencastre, pertencente as hostes farrapas e que também era versado em música e poesia, entusiasmado pelos acontecimentos, resolveu escrever uma letra alusiva à tomada de Rio Pardo.

O SEGUNDO HINO
Quase um ano após a tomada de Rio Pardo, foi composta uma nova letra e que foi cantada como Hino Nacional, o autor deste hino é desconhecido, oficialmente ele é dado como criação de autor ignorado. O jornal “O Povo”, considerado o jornal da República Riograndense em sua edição de 4 de maio de 1839 chamou-o de “o Hino da Nação”.
O TERCEIRO HINO
Após o término do movimento apareceu uma terceira letra, desta vez com autor conhecido: Francisco Pinto da Fontoura, vulgo “o Chiquinho da Vovó”. Esta terceira versão foi a que mais caiu no agrado da alma popular. Um fato que contribui para isto foi que o autor, depois de pronto este terceiro hino, continuou ensinando aos seus contemporâneos o hino com sua letra. A letra deste autor é basicamente a mesma adotada como sendo a oficial até hoje, mas a segunda estrofe, que foi suprimida posteriormente, era a seguinte:

Entre nós reviva Atenas
Para assombro dos tiranos;
Sejamos gregos na Glória,
E na virtude, romanos.

O HINO DEFINITIVO
Estas três letras foram interpretadas ao gosto de cada um até meados do ano de 1933, ano em que estavam no auge os preparativos para a “Semana do Centenário da Revolução Farroupilha”. Nesse momento um grupo de intelectuais resolveu escolher uma das versões para ser a letra oficial do hino do Rio Grande do Sul.
A partir daí, o Instituto Histórico contando com a colaboração da Sociedade Rio-Grandense de Educação, fez a harmonização e a oficialização do hino. O Hino foi então adotado naquele ano de 1934, com a letra total conforme fora escrito pelo autor, no século passado, caindo em desuso os outros poemas.
No ano de 1966, o Hino foi oficializado como Hino Farroupilha ou Hino Rio-Grandense, por força da lei 5213 de 05 de janeiro de 1966, quando foi suprimida a segunda estrofe.

HINO RIO-GRANDENSE

LETRA
Francisco Pinto da Fontoura
(vulgo Chiquinho da Vovó)
MÚSICA
Comendador Maestro Joaquim José de Mendanha
HARMONIZAÇÃO
Antônio Corte Real

Como a aurora precursora
do farol da divindade,
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.
Estribilho:
Mostremos valor, constância,
Nesta ímpia e injusta guerra,
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra,
De modelo a toda terra.
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra.

Mas não basta pra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo,
povo que não tem virtude
acaba por ser escravo.

Estribilho:
Mostremos valor, constância,
Nesta ímpia e injusta guerra,
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra,
De modelo a toda terra.
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra.

domingo

Sempre uma boa leitura, Charles Chaplin


Esta é uma boa leitura para este momento eleitoral e de forma geral as pessoas necessitam recordar certos conceitos de vida, que em momentos nos foge, e perdemos o foco da realidade ,por não vermos mais, tais atos nas pessoas, tanto políticos, como em cidadãos comuns, como ética, lealdade, honestidade, e principalmente respeito por outro ser humano 

O Último Discurso

Do filme: O Grande Ditador

Texto de Charles Chaplin
  
Desculpe!
Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar - se possível -
judeus, o gentio ... negros ... brancos.
  
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros.
Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo -
não para o seu infortúnio.
Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros?
Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica,
pode prover todas as nossas necessidades.
  
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma do homem ...
 levantou no mundo as muralhas do ódio ...
e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
 Sem essas duas virtudes,
a vida será de violência e tudo será perdido.

 A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano.
Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo.
E assim, enquanto morrem os homens,
a liberdade nunca perecerá.
  
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.
  
Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós!
Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas.
O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ...
de fazê-la uma aventura maravilhosa.
Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ...
um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho,
que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
  
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós.
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

 Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos, Hannah!

sexta-feira

Veneno no mel: do livro "Temporais" de Gibran Khalil Gibran


 Gibran Khalil Gibran
“Numa manhã de outono que, no norte do Líbano, tem um esplendor desconhecido alhures, os aldeões de Tula se reuniram na praça da igreja para comentar a repentina viagem de Fares Rahal que, tendo abandonado inesperadamente sua jovem esposa, tomara um rumo desconhecido.
Fares Rahal era o líder da aldeia. Havia herdado sua primazia de seu avô e do seu pai. E embora jovem, havia nele uma superioridade que se impunha.
Quando se casara na primavera com Suzana Barakat, todos disseram: "Que felizardo! Conseguiu, com menos de 30 anos, tudo o que o homem pode desejar neste mundo."
Mas, naquela manhã, quando os habitantes de Tula, ao acordarem, souberam que Fares havia juntado o que pudera de seu dinheiro, montado seu cavalo e deixado a aldeia sem se despedir de ninguém, sentiram-se perplexos e começaram a procurar os motivos que podem levar um homem como ele abandonar de repente sua gente, sua esposa, sua casa, seus campos e vinhedos.
No Norte do Líbano, a vida se assemelha ao socialismo mais do que qualquer outro sistema. Todos partilham as alegrias e tristezas da vida, levados por instintos simples e singelos. E fazem frente, juntos, a todos os grandes acontecimentos.
Foi por isto que os habitantes de Tula abandonaram suas tarefas cotidianas e se reuniram em volta da igreja para trocarem opiniões sobre a misteriosa partida de Fares Rahal.
Enquanto conversavam, viram o padre Estêvão, pároco da cidade aproximar-se deles, a cabeça inclinada, o rosto sombrio. Acolheram-no com olhares interrogativos.
-Não me façam perguntas, disse ele por fim. Tudo quanto sei é o seguinte: Fares veio bater à minha porta antes da aurora. Seu rosto estava marcado pela tristeza. Disse: 'Vim despedir-me, padre. Vou-me para além-mar, e não voltarei vivo a este país.' Depois, entregou-me uma carta lacrada, endereçada ao seu amigo Nagib Malik, e pediu-me que lha entregasse pessoalmente. Feito isso, saltou sobre seu cavalo e desapareceu antes que pudesse fazer-lhe uma pergunta.
Conjecturou alguém: "Sem dúvida, a carta explica os motivos da viagem, pois Nagib era seu melhor amigo."
Perguntou outro: "Tem visto a esposa dele, padre?"
Respondeu o padre: "Visitei-a após as preces da manhã. Encontrei-a sentada à janela. Fixava as distâncias com olhos de vidro, como se tivesse perdido a razão. Quando a interroguei, abanou a cabeça e murmurou: 'Não sei. Não sei.' E desatou a chorar como uma criança."
De repente, ouviu-se um tiro de revólver, e todos estremeceram. Seguiram-se os gritos de uma mulher. Os aldeões ficaram um minuto atônitos; depois, correram na direção do tiro. Quando chegaram perto da casa de Fares Rahal, viram Nagib Malik estendido no chão, com sangue jorrando de seu corpo. A poucos passos dele, Suzana, a esposa de Fares Rahal, arrancava o cabelo e gemia: "Suicidou-se. Suicidou-se." 
O povo parou, apavorado. O padre viu na mão do infeliz a carta que lhe entregara naquela manhã. Retirou-a e pô-la discretamente no bolso.
Carregaram o corpo do suicida à casa de sua mãe, que, ao ver o cadáver do filho único, perdeu os sentidos.
As mulheres cuidaram de Suzana e a levaram entre viva e morta.
Quando padre Estêvão voltou para casa, trancou a porta, colocou os óculos, abriu a carta de Nagib Malik e leu-a com voz trêmula:

"Nagib, meu irmão,
Estou abandonando esta cidade porque minha presença aqui é causa de infelicidade para ti, para minha esposa e para mim mesmo.
Sei que tu és nobre demais para trair teu amigo e vizinho. Sei que Suzana, minha esposa, é pura e incapaz de cometer um pecado.
Mas sei também que o amor que liga teu coração ao dela é mais forte que vossas vontades. Tu não o podes deter, como não podes deter o curso do rio Kadisha. Fomos amigos, Nagib, desde que éramos garotos. E desejo que continues a pensar em mim como o tens feito hoje. E se te encontrares com Suzana amanhã ou depois de amanhã, dize-lhe que a amo e não a censuro. Dize-lhe que tinha, ao contrário, pena dela quando acordava de noite e a via ajoelhada perante a imagem de Jesus, orando e chorando.
Nada é tão cruel quanto o destino de uma mulher posta entre o homem que ela ama e o homem que ela deve amar. E Suzana estava numa guerra permanente. Queria manter-se fiel às suas obrigações; mas não podia matar seus sentimentos. É por isto que vou-me para uma terra longínqua, de onde nunca voltarei. Não quero continuar a ser um obstáculo no caminho de vossa felicidade.
Finalmente, peço-te, amigo e irmão, ficar fiel a Suzana ampará-la até o fim. Ela sacrificou tudo por tua causa. E permanece, ó Nagib tal qual te conheço: coração nobre, alma elevada. E que Deus te proteja!
                                                                   Fares Rahal."
Padre Estêvão dobrou a carta e devolveu-a ao bolso com ar sonhador. Sentia que algo ainda lhe escapava.
Logo depois, levantou-se, agitado, como se tivesse descoberto um segredo terrível, escondido sob aparências benignas. E gritou: "Fenomenal é tua astúcia, ó Fares Rahal! Soubeste matar teu amigo e ficar inocente do seu sangue. Mandaste-lhe o veneno misturado com mel. Quando ele dirigiu o revólver contra o próprio peito, tua mão segurava sua mão, e tua vontade dominava sua vontade... Mortal é tua astúcia, ó Fares Rahal!..."
E padre Estêvão voltou à sua cadeira, acariciando a barba com os dedos, o rosto iluminado por um sorriso diabólico.

segunda-feira

Africa: Quando não é a Fome é a Guerra.

Em Janeiro passado um ataque de caças do Quênia matou pelo menos 60 insurgentes islamitas Shebab no sul da Somália, no mais novo ataque aéreo sobre as posições rebeldes, disseram autoridades militares. "As baixas provisórias são de que a Al-Shebab perdeu 60 ou mais soldados em Garbahare, e mais de 50 ficaram feridos", disse o porta-voz militar queniano, coronel Cyrus Oguna.
Ligados à Al-Qaeda, os rebeldes Shebab têm repetidamente desmentido relatórios quenianos sobre baixas e não foi possível confirmar de forma independente as mortes.
O Quênia enviou tropas para a fronteira com a Somália em outubro para combater os militantes e estão lutando ao lado das forças pró-governo da Somália.
Os combatentes, linha-dura Shebab têm o controle de grande parte do centro e do sul da Somália, mas estão enfrentando uma pressão crescente das forças governamentais e dos exércitos regionais.

Forças etíopes atravessaram a fronteira da Somália em novembro e no mês de fevereiro, lutaram ao lado de homens pró-governo para tomar o controle de Beledweyne, na região central da Somália de Hiran, de domínio dos insurgentes.

O Quênia disse que possui ligação com o exército etíope, uma vez que ambas enfrentam um inimigo comum, mas que as duas frentes permanecem separadas.
Uma força de 10 mil soldados, composta de tropas de Uganda, Burundi e Djibuti, tem defendido o frágil governo da Somália dos combatentes Shebab na capital Mogadishu.

Ataque Queniano em Acampamento na Somália, mata cinco pessoas segundo ONG

Quarenta e cinco pessoas ficaram feridas em Jilib.
Porta-voz militar do Quênia negou que haja civis entre as vítimas.
Ele afirmou que o MSF retirou sua equipe de Jilib após o incidente e que uma distribuição de mantimentos planejada para esta segunda-feira foi adiada.fendido o frágil governo da Somália dos combatentes Shebab na capital Mogadishu.Um ataque aéreo do Quênia no domingo matou cinco pessoas e deixou outras 45 feridas, na maioria mulheres e crianças, em um acampamento na Somália que abriga desabrigados pela seca e pela violência, disse a agência de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Um porta-voz militar do Quênia confirmou no domingo que seus jatos atingiram a cidade de Jilib, onde está localizado o acampamento de pessoas deslocadas de suas regiões por causa da seca e violência. A fonte disse que dez insurgentes do grupo Al Shabaab foram mortos, mas negou as informações de que civis estariam entre as vítimas, alegando ser propaganda do Al Shabaab.

'Posso confirmar cinco mortos e 45 feridos', disse à Reuters Gautam Chatterjee, chefe da Missão do MSF-Holanda na Somália. 'Em nossos hospitais em Marare, recebemos 31 crianças, nove mulheres e cinco homens. Todos tinham feridas de estilhaços de bomba.'
O Quênia enviou suas tropas para a Somália em meados de outubro em busca de insurgentes somalis que o país culpa por uma série de sequestros em território queniano e ataques frequentes contra as forças de segurança na Província do Nordeste, que faz fronteira com a Somália.

O primeiro grave confronto entre tropas do Quênia e insurgentes da Al Shabaab, ligada à Al Qaeda, ocorreu na última quinta-feira. Segundo o Quênia, suas forças mataram nove rebeldes, enquanto um de seus soldados morreu depois de ser ferido em uma emboscada insurgente.

Chatterjee, do MSF, disse que três crianças, um homem e uma mulher morreram no bombardeio aéreo. As informações eram de funcionários da entidade que estão trabalhando no acampamento, que abriga 1.500 famílias.
Chatterjee não quis comentar sobre o fato de que o Exército queniano havia negado a ocorrência de vítimas civis em Jilib, dizendo que poderia dar detalhes apenas de pacientes recebidos pelo MSF para tratamento.






domingo

Nós somos os culpados por isto !!!!


Acompanhe a mais este absurdo, da política brasileira, no final você vai me dar razão.
Sites oferecem a vereadores projetos de lei por encomenda a partir de R$ 19,90
O candidato a vereador nas eleições de outubro em qualquer um dos 5.565 municípios brasileiros poderá dispensar o preparo técnico, político ou administrativo. Se eleito, poderá deixar-se tomar pela preguiça. Bastará dispor de R$ 19,90 para encomendar  projetos de lei pela internet e apresentá-los nos Legislativos municipais como sendo seus.
Os temas em pauta vão do esporte à educação, do meio ambiente ao lazer, da proteção ao idoso à proteção à mulher. O serviço a R$ 19,90, com promessa de entrega em 15 dias, é de propriedade do mineiro Manoel Amaral, no endereço http://www.casadosmunicipios.com.br.
Nos sites também são oferecidas fórmulas para projetos que visam a criar casas de cultura, turismo, ouvidoria do povo, normas urbanísticas, ocupação e parcelamento do solo, fusão e supressão de distritos, editais de contratação de servidores por tempo determinado, regulamentos do INSS, concessão de serviços de táxi.
Outro dono dos serviços oferecidos aos candidatos a vereador é o ex-vereador José Gilberto de Souza, de Campo Mourão, no Paraná. Os preços são mais salgados. Ele oferece pacotes com cerca de 1,5 mil projetos de lei. O menor, com 10 projetos, custa R$ 200. O maior, com 100, sai por R$ 1,2 mil.
Em outubro nas próximas eleições, nós precisamos dar um basta, nesta baixaria, nesta mamata que está virando a politica brasileira, este oba, oba à custa de dinheiro publico, com nosso voto bancamos este tipo de politico sem noção, precisamos dar uma resposta, precisamos parar de fazer piadas, das roubalheiras, e do pouco caso que os políticos brasileiros, tratam seus eleitores, e simplesmente não ir votar, é a única maneira de parar com esta bandalheira que nosso pais esta se tornando, por conta do mau caratismo de nossos políticos, que são empurrados garganta a baixo nas eleições, a multa por não votar é irrisória, vale a pena, nem aparecer no dia da votação, não podemos mais sustentar bandidos, com dinheiro publico, o nosso pais é o único que paga sálario, para vereadores, entre 181 paises na ONU, o nosso pais é o único que remunera este tipo de politico, nos outros países ,vereadores são cargos voluntários não remunerados, e o voto não é obrigatório.
NAS PROXIMAS ELEIÇÕES, SEJA PATRIOTA, MOSTRE QUE AMA O TEU PAIS, NÃO VOTE

quinta-feira

Um assassinato a cada 4 horas.(bem vindo ao Pais da Copa do Mundo)


Aqui no Rio Grande do Sul, os índices da violência, aumentaram em relação ao mesmo período de 2011, só no mês de janeiro foram 186 assassinatos, um aumento de 28%.  não estão incluídos, neste índice arrombamentos ,assaltos , estupros.
Entretanto o conjunto de toda a violência cometida contra o cidadão de bem, tem um motivo, tem um nome “A IMPUNIDADE”.  A LEI DA IMPUNIDADE - LEI 12.405/2001
Foi aprovada para acomodar a negligência dos Poderes na execução penal. Sem instrumentos para aplicá-la, ela aumenta as benevolências e devolve às ruas milhares de presos, desmoralizando e enfraquecendo os instrumentos de coação, justiça e cidadania e fomentando desordens, violência, criminalidade e impunidade no Brasil.
A LEI DA IMPUNIDADE - LEI 12.405/2001 é uma licença do Estado que o bandido usa para continuar matando, roubando, violentando, depredando, pichando, corrompendo, fraudando, recebendo propinas, saqueando cofres públicos, desviando recursos do povo, prevaricando.
Segurança pública,  deveria ser um conjunto de ações e processos administrativos (Executivo), jurídicos (Legislativo) e judiciais (Judiciário). Cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Depende da harmonia entre os poderes, das ligações entre os instrumentos de coação, justiça e cidadania e do comprometimento dos agentes públicos, mas na pratica não funciona assim.
Nossos governantes dão a impressão, que nenhum deles sequer, vive no Brasil. Com a desculpa de sediar a copa do mundo, claro, é desvio de verbas publicas para a reformas de estádios, propinas de empreiteiras para garantir seu espaço nas obras de reforma e construção, sim os mesmos de sempre, enriquecendo à custa do dinheiro publico, e oque eles oferecem em troca, principalmente para o turista estrangeiro que vem as.sistir aos jogos da copa, um transporte publico ridículo, uma assistência medica inacreditavelmente ruim, e por fim, segurança publica nestes moldes, policia prende e o estado solta, mais rápido que a policia prende. E o turista que sobreviver a este massacre social, vera um belíssimo espetáculo

terça-feira

Atropelou 17, Fugiu, e está livre!

O jovem que atropelou 17 pessoas na madrugada desta terça-feira na Avenida Esparta, a principal de Balneário Quintão, no Litoral Norte, será indiciado inicialmente por lesão corporal culposa (sem intenção). A informação é do delegado plantonista Amilcar Souza Neto, da Delegacia de Polícia (DP) de Cidreira.     Em depoimento na delegacia, realizado instantes após o incidente,  Gilberto Luiz Pelizzer Junior, 18 anos, alegou que foi cercado por uma multidão insatisfeita com o volume alto do som de seu veículo. Temendo ser agredido, teria decidido acelerar o carro.   — Ele disse que entrou em pânico e acabou atropelando as pessoas — resumiu o delegado.    O jovem falou ainda que estava sozinho dentro do carro e negou que tiros tenham sido disparados de dentro do seu veículo.    Como o rapaz se recusou a realizar o teste do bafômetro, ele foi levado ao posto médico de Balneário Pinhal, onde passou por exame clínico. Segundo o delegado, médicos responsáveis pelo exame informaram não haver sinais de embriaguez.   — A ideia inicial é indiciar o jovem por lesão corporal culposa (sem intenção).   Mas não há prejuízo de futuramente alterar o enquadramento — complementa o delegado.     O caso foi registrado por volta das 3h. No atropelamento coletivo, a adolescente Bianca Ribeiro da Costa, de 15 anos, ficou gravemente ferida e foi transferida com lesões na cabeça para hospital em Tramandaí. Outras sete vítimas foram levadas para hospital em Osório.       O motorista da Ecosport teria sido alvo de protesto em razão do som alto de seu veículo. Também há informação de que ele teria invadido trecho da avenida que estava interditado para festas de Carnaval. Foliões teriam utilizado spray de espuma para alertar o motorista.       Conforme Marcelo Rodrigues Witt, 40 anos, que testemunhou o incidente, o condutor da Ecosport teria ficado irritado quando foliões deram tapas no carro.  — Ele ameaçou abrir a porta, fez menção de descer, mas decidiu acelerar.   Foi levando todas as pessoas que estavam pela frente — disse Witt, que teve cinco familiares feridos.   De acordo com outra testemunha, Isaac Nogueira, 31 anos, o motorista só parou quando o corpo de uma jovem o impediu de prosseguir.      — Parecia aquele cara que atropelou os ciclistas em Porto Alegre — relatou Nogueira, referindo-se a Ricardo Neis, que virou notícia internacional ao atropelar integrantes da Massa Crítica em 25 de fevereiro de 2011.     Antes de fugir, um passageiro que estava na carona do Ecosport, teria sacado uma arma e atirado quatro vezes para o alto. Essa informação foi negada pelo atropelador.
As vítimas foram levadas inicialmente ao pronto atendimento de Quintão. Segundo o enfermeiro que participou dos primeiros atendimentos, o quadro era assustador.
— Havia pacientes com multiplas fraturas, escoriações, deformações na face, lesões com exposições ósseas e pelo menos uma vítima com suspeita de lesão cervical — disse o enfermeiro Rodrigo Haendchen.
Após fugir, o Ecosport foi seguido por um taxista, que indicou a localização à polícia. Em uma residência, Gilberto Luiz Pellizzer Junior acabou detido.
Segundo o delegado Amilcar Souza Neto, ele alegou legítima defesa.
— Ele alega que foi cercado por indivíduos que queriam agredi-lo e no intuito de fugir da multidão acabou atropelando essas pessoas — disse o delegado.
O veículo foi apreendido para perícia. O rapaz  deve responder em liberdade....... Nós já vimos como a justiça segue, nestes casos onde o infrator, possui posses ou vem de famílias abastadas financeiramente, a justiça termina aliviando o caso, como exemplo do cidadão que atropelou os ciclistas(25) em porto Alegre, que esta livre rindo da cara de toda a sociedade. Assim neste caso as dezenas de testemunhas,  que presenciaram este episodio covarde, mais as vitimas que puderam pronunciar-se não foram levadas em conta, no momento da autuação do individuo, e já nas próprias reportagens televisionadas, que a policia já estava, tentando minimizar o caso, pois uma pessoa que atropela 17 pessoas, sendo que ao menos uma vitima, foi atropelada duas vezes, na tentativa de fuga, ao dar a ré, passou com as rodas do veiculo novamente por cima da vitima, é impossível ser um fato não proposital, segundo testemunhas ele sabia o que estava fazendo quando lançou o veiculo, para cima dos populares.
Como sempre dois Pesos duas Medidas

O poder Corrompe!


Surfando na net, encontrei este texto de Júlio Ferreira do Recife que apenas com alguns retoques pessoais, ainda assim, descreve a atual mentalidade Petista que corrompida pelo poder é motivo de vergonha, para todos aqueles como eu participou da construção deste partido, e hoje assistem indignados com o desmantelamento da ética, da moral e dos princípios políticos que eram máximas, na época de seu surgimento em 1979,mas leia esta perfeita definição do PT: "O PT é um partido orientado por intelectuais que estudam e não trabalham, formado por militantes que trabalham e não estudam, comandado por sindicalistas que não estudam nem trabalham e suportado por eleitores  que trabalham pra burro e não têm dinheiro pra estudar". Quem escreveu esta frase no mínimo, era um ex petista, pois conseguiu sintetizar perfeitamente o quadro de degradação ética e moral imposto por dirigentes partidários, transformados em gigolôs dos cofres públicos, que conseguiram transformar o antigo PT, orgulho de uma militância que fazia questão de ostentar nas ruas sua opção partidária, por entender que pertencia a ÚNICA legenda verdadeiramente ética e séria da política brasileira, em uma sigla tão manchada pela desonra quanto aquelas que fazia questão de criticar de forma tão ácida, fazendo com que seus antigos militantes, encabrestados por uma direção partidária fascista, tenham ao longo dos anos tendo de escolher entre duas opções: 1)Dar um basta às imoralidades cometidas pelo PT, em uma clara demonstração de que não compactuam com as imoralidades impostas pela direção partidária, e buscar abrigo em outras legendas, ainda não cooptadas pelo neoliberalismo, tal como o PT, definitivamente, foi; 2) Continuar no PT, deixando-se comprar pelas benesses oferecidas em troca do seu irresponsável silêncio. É triste ver tantos Petistas, que tiveram coragem de enfrentar o regime militar, capitularem ante  boas propostas de se locupletar com migalhas do poder, e tornarem-se PETRALHAS
Ainda bem que à muitos de nós que não se deixam enganar, por estas balelas petistas, ainda acreditamos na ética politica, na moral, Papai Noel, e Coelhinho da Pascoa.

quinta-feira

O que a Igreja Católica, omitiu dos seus Fieis?.


Em 1945, um pastor encontrou um jarro de cerâmica numa gruta próxima a sua aldeia no Egito. Ao abri-lo, achou vários livros escritos em idiomas que ele não compreendia. Algumas folhas amareladas serviram alimentaram o forno a lenha de sua casa. As restantes caíram nas mãos de um religioso local, circularam no mercado de antiguidades e foram resgatadas por um funcionário do governo egípcio. Mais tarde, descobriu-se que a “lenha” era um tesouro de valor incalculável: a coleção de Nag Hammadi, 13 livros com 1 600 anos e histórias que a Igreja tentou abafar durante todo esse tempo. Mas não conseguiu. Depois de sobreviver ao tempo e à censura religiosa, o achado tornou-se o maior e mais importante acervo de evangelhos apócrifos, literatura que tem ajudado a elucidar vários mistérios sobre as origens do cristianismo.
Tesouro dos primeiros cristãos
A maioria dos escritos de Nag Hammadi foi produzida entre os séculos 1 e 3 e seus autores faziam parte das primeiras comunidades cristãs. Nesse acervo, é possível conhecer livros que ficaram de fora do Novo Testamento, como evangelhos de Tomé e Tiago. O interessante desses relatos é que destoam bastante do que aparece na Bíblia. Neles, Jesus tem um lado humano, Madalena é uma grande líder, Deus é um princípio masculino e feminino... Diferenças polêmicas que deixam claro por que os apócrifos sempre foram uma pedra no sapato da Igreja. “Eles representavam outro cristianismo, não oficial, marginalizado”, explica o padre e teólogo Luigi Schiavo, professor do Departamento de Ciências da Religião da Universidade Católica de Goiás. “Eles têm grande valor histórico e religioso porque mostram novas interpretações sobre a figura de Jesus na origem do cristianismo”, enfatiza o especialista.
Naquela época não havia um cânone – nome dado ao conjunto oficial de livros que compõem a Bíblia – mas vários textos, cada qual escrito pelas diferentes seitas existentes, que registravam seus próprios valores e crenças sobre a origem do mundo e da vida, sobre Deus e o messias. E havia muitas divergências. Os docetas, por exemplo, negavam a realidade material de Cristo. Consideravam que Jesus possuía um corpo etéreo e que, por isso, não nasceu nem foi morto na cruz e muito menos ressuscitou. Os ebionitas, por sua vez, defendiam que Jesus tinha nascido de forma natural e só depois de batizado é que Deus decidiu adotá-lo. Já os ofitas acreditavam que Caim era o representante espiritual mais elevado. Para eles, a morte de Jesus foi um crime do Universo, mas um evento necessário para a salvação da humanidade.
Um dos grupos mais influentes do cristianismo primitivo foi o dos gnósticos, que adotavam uma vida ascética, negavam a matéria e acreditavam que o conhecimento era o caminho para a salvação. Algumas facções também defendiam que Deus possuía um princípio masculino e outro feminino. De fato, as mulheres desses grupos atuavam como mestras, líderes e profetisas – uma idéia ainda hoje revolucionária para a Igreja.
E havia também o chamado cristianismo apostólico, baseado nas narrativas dos primeiros discípulos de Jesus. Eles contavam que o messias havia morrido na cruz para salvar a humanidade e aos seguidores cabia a missão de espalhar sua mensagem pelo mundo. Essa tradição começou a ser registrada por volta dos anos 30 e 40 do século 1, em livros como os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João. Esses textos eram lidos por muitos grupos, que os consideravam os relatos mais antigos e precisos da vida de Cristo.
A babel de cristianismos resistiu até o século 2, quando alguns bispos decidiram organizar as Escrituras. “Eles precisavam adotar um cânon definitivo para que a religião pudesse se expandir”, explica o frei Jacir. Mas para isso não adiantava traduzir os textos para várias línguas e divulgá-los entre vários povos. Era preciso aparar as diferenças e chegar a uma espécie de “versão oficial”. Na hora de selecionar os livros, o espírito democrático que permitiu a existência das diferentes versões deu lugar às disputas de poder.
Por uma versão oficial
As igrejas maiores e mais influentes tentaram impor seus textos, o que as menores não aceitavam. Havia debates e acusações mútuas de heresia entre elas. A peleja continuou até o século 4, quando tudo indicava que o cristianismo apostólico iria prevalecer sobre os outros cristianismos. Seus 4 evangelhos já eram populares naquela época e, desde o século 2, eram elogiados pelos pensadores da Igreja. Mas faltava tornar esses livros oficiais.
Foi quando o imperador de Roma, Constantino, entrou em cena e interveio no impasse. Na época, com o império em crise, ele precisava de uma bandeira para justificar a expansão e convencer outros povos a aceitarem seu domínio. E a solução estava numa aliança com os cristãos, que por sua vez desejavam espalhar a mensagem de Jesus mundo afora. “Constantino percebeu que era uma grande oportunidade e decidiu fazer do cristianismo a religião oficial do império”, explica o frei Jacir.
Os cristãos deixaram de ser perseguidos em 313 e apenas 12 anos depois seus bispos foram convocados para o Concílio de Nicéia, primeiro passo dado para a criação do Novo Testamento. Na reunião, os evangelhos de Marcos, Lucas, Mateus e João foram escolhidos para narrar a biografia de Jesus por uma razão simples: expressavam a visão dominante na Igreja. E todos os demais foram considerados apócrifos, falsos e perigosos para o estabelecimento do novo livro.
Começou, então, a perseguição a todos que ousavam discordar da recém-formulada Escritura Sagrada. Os gnósticos, docetas, ebionitas e ofitas foram acusados de heresia. Os que insistiam em desrespeitar o cânon eram punidos com a excomunhão ou a morte. Dezenas de livros – ou centenas, já que ninguém sabe ao certo quantos eram – foram destruídos ou queimados. Foi nessa época que alguém decidiu esconder 13 volumes numa gruta, na aldeia de Nag Hammadi, no alto Egito – talvez um cristão perseguido ou um monge do Mosteiro de São Pacômio, que ficava ali perto. Eram evangelhos, cartas e atos dos apóstolos escritos em copta, língua falada pelos cristãos do Egito. O tesouro só foi descoberto 16 séculos depois, por aquele pastor que apresentamos lá no começo, e hoje está no Museu Copta do Cairo, à disposição do público.
O legado
Além desses, muitos outros apócrifos foram excluídos da Bíblia. É o caso dos Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947, que apresentam cópias de livros do Antigo Testamento, deixadas pela seita judaica dos essênios. E do Evangelho Segundo Judas, descoberto na década de 1970, que conta uma história diferente sobre o discípulo que traiu Jesus. No total, são mais de 100 livros de valor inquestionável para os estudiosos das Escrituras. “São documentos essenciais para compreender a história do cristianismo no 1º e 2º séculos”, afirma o teólogo Paulo Nogueira, professor da Universidade Metodista de São Paulo.
Os apócrifos revelam que o Novo Testamento não nasceu pronto e acabado e que os textos que servem de base para a atual doutrina cristã passaram por um complicado processo de “edição”. Também deixam claro que, ao contrário do que se imaginava, o cristianismo praticado hoje não era o único nos primeiros séculos. Existiam vários cristianismos, cada um com sua própria interpretação da vida de Jesus e seus ensinamentos. Quem lê os escritos deixados por esses grupos pode conhecer outros pontos de vista sobre uma história contada há mais de 2 mil anos.
No entanto, é necessário afrouxar o julgamento antes de mergulhar na leitura. “Devemos compreender esses livros de modo ecumênico e tentando dialogar com os cristianismos de origem”, sugere o frei Jacir. É verdade que esse textos, muitas vezes coloridos e aberrantes, costumam chocar o leitor de primeira viagem. “Mas alguns também podem complementar a nossa fé”, adianta Jacir. Uma prova de que eles não são apenas uma “ameaça” aos cânones da Igreja Católica estão na religiosidade popular e na arte sacra, que buscaram inspiração nas histórias apócrifas. A famosa história dos 3 reis magos que levaram presentes ao menino Jesus e tudo que inspira os presépios natalinos, por exemplo, vêm dos evangelhos apócrifos.

Magdala, a favorita de Jesus
Apócrifos revelam que Maria despertava o ciúme dos apóstolos e que Jesus a beijava na boca
Maria Madalena – ou Miriam de Magdala, como está no hebraico – aparece nos apócrifos como uma mulher sábia e respeitada por Jesus. Ela acompanha o mestre em suas pregações e o ajuda a liderar os primeiros cristãos. O Evangelho de Filipe, do século 2, conta que ela era a seguidora preferida de Cristo, o que despertou o ciúme dos outros apóstolos. “Por que a amas mais que a todos nós?”, perguntavam eles ao Senhor. Uma passagem que ainda enfurece muitos cristãos diz que "o Senhor amava Maria mais do que a todos os discípulos e a beijava freqüentemente na boca". A liderança de Madalena também é mencionada no evangelho apócrifo que leva seu nome, também do século 2. Numa passagem, Pedro questiona: “Devemos mudar nossos hábitos e escutarmos todos essa mulher?” O texto revela que, apesar dos preconceitos, ela consegue se impor. É uma imagem distante da mulher impura e pecadora que a tradição da Igreja enfatizou durante séculos. Em 1969, o Vaticano reconheceu que houve uma confusão na interpretação das Escrituras (ela teria sido confundida com a pecadora que unge os pés de Jesus no Evangelho de Lucas) e retirou a denominação de prostituta que durante séculos pesou sobre Maria Madalena.
A redenção de Judas
Judas teria entregue Jesus a seu pedido
A história do discípulo que traiu seu mestre por 30 moedas de prata é uma das mais conhecidas do cristianismo. Segundo o Evangelho de Judas – um manuscrito copta (língua falada pelos antigos egípcios) escrito entre os séculos 3 e 4 – o apóstolo pode ter sido condenado injustamente pela história. No texto, descoberto nos anos 70, no Egito, o personagem mais odiado do cristianismo aparece como o discípulo mais próximo e querido de Jesus. Ele denuncia o mestre às autoridades romanas a pedido do próprio Messias, num plano que seria essencial em sua missão de salvar a humanidade. “Nesse contexto, a figura de Judas representa o ideal do discípulo que, recebida a iluminação, cumpre a vontade de Deus, mesmo que ela tenha a ver com a entrega de Jesus à morte”, diz o teólogo Luigi Schiavo. Na versão do Novo Testamento, Judas enforca-se, arrependido. No texto apócrifo é diferente. Ao compreender a importância de sua missão, Judas teria se retirado para meditar no deserto.
A infância de Cristo
Evangelhos mostram lado humano e divino
A literatura apócrifa conta várias histórias sobre a gravidez de Maria e os primeiros anos de vida de Jesus. É uma tentativa de preencher a lacuna da Bíblia, que faz uma única referência à infância do Messias, quando ele visita o Templo de Jerusalém, aos 12 anos. O Evangelho do Pseudo-Mateus, do século 3, conta que o menino fazia milagres ainda na barriga da mãe e que, desde criança, usava seus poderes para curar doentes e ressuscitar os mortos. Mas, quando irritado, ele se comportava como uma criança mimada e vingativa. Certo dia, um menino o derrubou no chão. Jesus então ordenou: “Caia morto!”, e o amigo morreu. Depois, arrependido, o fez ressuscitar. Um de seus passatempos preferidos seria criar seres de barro e lhes dar vida com um sopro. Essa faceta de Jesus pode assustar quem lê os apócrifos. Mas, para teólogo Jacir de Freitas, ela deve ser compreendida no contexto em que o livro foi escrito. “A intenção é mostrar que Jesus tem um lado humano e outro divino, o que é um reflexo de uma época em que a Igreja discutia qual era a natureza do filho de Deus.”
O quinto evangelho
Historiadores acreditam que Evangelho de Tomé seja inspiração de 3 dos canônicos
O Evangelho Segundo Tomé, do apóstolo que precisava “ver para crer”, é o mais polêmico do acervo de Nag Hammadi. O manuscrito contém 114 parábolas e frases atribuídas a Jesus. As citações são semelhantes às da Bíblia, mas refletem o pensamento gnóstico. Nele, Jesus aparece como um mestre mais místico, que orienta os discípulos a reconhecer sua identidade divina e a buscar Deus em qualquer lugar. Ele foi excluído, apesar de ter sido escrito por volta dos anos 60 e 70 do século 1, mesma época dos evangelhos que entraram para o cânone sob a justificativa de serem os relatos mais antigos do messias. Os pesquisadores chamam esse apócrifo de Quinto Evangelho e suspeitam que ele seja o famoso Fonte Q, escrito nunca achado que teria sido a base de 3 dos 4 evangelhos canônicos. Se isso for verdade, os textos bíblicos são adaptações desse apócrifo, dono dos verdadeiros ensinamentos de Cristo. 

extraído Revista Super Interessante.

terça-feira

Os sintomas do fanatismo, Religioso ou Politico.


"O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma única verdade" (Emil Cioran)
“... todos os crentes parecem escandalosos e indiscretos: procura evitá-los" (Nietzsche).
                  
       Em nossa época, supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo,  vem do latim fanaticus, quer dizer "o que pertence a um templo", fanum. O indivíduo fanático ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um líder mundano, uma causa suprema ou uma fé cega. O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais  que visa  servir à um ser  poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo demônio" , "combater as forças do Mal" ou "salvar a humanidade" do caos.
                    Tendo origem no dogma religioso, o fanatismo não se restringe a esse campo único; existe fanatismo por uma raça, um time de futebol, por um partido político, sobretudo por ideologias revolucionárias quando extrapolam a dimensão racional, sentindo-se guiada pela "fantasia da escolha divina".  Foi fanatismo religioso que fez muitos seguirem Jin Jones (Templo do Povo), Asahara (Verdade suprema), David Koresh (Ramo davidiano), Jo Dimambro (Templo Solar) e tantos outros místicos ou charlatães que terminaram causando tragédias coletivas, noticiadas no mundo todo. A história conheceu também os histerismos coletivos da "caça as bruxas", a perseguição aos negros, índios, comunistas, homossexuais, prostitutas.  O movimento da Jihad islâmica contra os "infiéis do ocidente" e a "guerra aos terroristas" do ocidente cristão, demonstram que o fanatismo está vivo e atuante em nossa época supostamente "científica" e "tecnológica". Precisamos admitir que, a história da humanidade é também a história dos vários fanatismos dominando grupos humanos, sempre com consequências trágicas. Esse pedaço da história renegado nos causa vergonha, medo e sinalizam alertas para possíveis efeitos negativos no rumo da civilização.
                    Como disse, o fanatismo atua para além do efeito religioso, mas não extrapola ao campo ideológico como um todo. Há fanatismo entre crentes de todo o tipo, do menos ao mais irracional. Mas, não existe fanatismo racional, em que pese o fato de um certo tipo de razão (instrumental, cínica, etc) também ter cometidos os seus desatinos e crimes . Assim, para o fanático religioso, não basta adorar um Deus visto como Senhor absoluto, é necessário ser soldado dele na terra, lutar pela causa superior, pregar, exorcizar, forçar os "infiéis" ou "divergentes" à conversão absoluta, à qualquer preço. O fanático está sempre disposto a dar provas do quanto sua causa suprema vale mais do que as próprias vidas: dele, de sua família ou mesmo de toda a humanidade. Ele mata por uma idéia e igualmente morre por ela.

Os sintomas do fanatismo
             Os sintomas do fanatismo, em grupo, são: orações, privações, peregrinações, jejum, discursos monológicos e martírios que podem terminar com o sacrifício da própria vida visando salvar o mundo das "trevas" ou do que ele entende ser "o mal" .
                           O fanático não fala, faz discursos; é portador de discursos prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso ou a inculcação política de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento, tomado sempre como revelação da "ira de Deus" ou "a inevitável marcha da história" ou, ainda, a suposta "superioridade de uns sobre os demais". Faz discursos e não fala, porque enquanto a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo, da dialética, do discernimento da verdade, os discursos - especialmente o discurso fanático - fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo divinizado; servir ao desejo divino e à produção da repetição de algo já pronto, onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego) um porta-voz de um sistema de crenças moralistas carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o Bem.          
                 Os textos sagrados, tomados literalmente, fornecem a sustentação "teórica" do discurso fundamentalista religioso; com ele, o indivíduo acredita, a priori, estar de posse de toda a verdade e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas, como confrontar com outro ponto de vista, ou desvelar outro sentido de interpretação, ou ainda, contextualizá-lo, etc. O fanático tem certeza e isso lhe basta. Creio porque é absurdo, já dizia Tertuliano. Certeza para ele é igual a verdade. (Segundo Popper, no campo científico, a certeza nada vale porque é "raramente objetiva: geralmente não passa de um forte sentimento de confiança, ou convicção, embora baseada em conhecimento insuficiente", já a verdade tem estatuto de objetividade, na medida em que "consiste na correspondência aos factos", na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação. (Popper, 1988, p. 48).
                          O problema da religião não é a paixão "fé", mas a inquestionalidade de seu método. O método de qualquer religião traz uma certeza divulgada em forma de monólogo, jamais de diálogo ou debate de idéias. O pastor, padre, rabino, ou qualquer pregador de rua, vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação; acreditam que "vale tudo" para difundir a "verdade única" que o tocou e o transformou para sempre! O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante, declarações, comunicados, que jamais se voltam para  escuta ou o diálogo, exercício esse que faria emergir a verdade - não a "certeza" .
Todo fanático é intolerante.
O fanatismo é a intolerância extrema para com os diferentes. Um evangélico fanático é incapaz de diálogo e respeito para com um católico ou um budista. Um fanático de direita não quer diálogo com os de esquerda. Organizações como a Ku Klux Klan são intolerantes igualmente com negros adultos, mulheres e crianças. Por isso se diz que há em cada fanático um fascista camuflado, pronto para emergir em atos de exclusão e eliminação.
                 O semiólogo e filósofo italiano, Umberto Eco, reconhece que o protofascismo está presente nos movimentos fanáticos.  No campo político, não importa auto denominar-se de "esquerda" ou de "direita" pode existir um protofascismo. No fundo os atos terroristas são produzidos e sustentados por fanatismos de inspiração místico-fascista incapazes de diálogo ou argumento racional que esclarece sua causa objetiva. Não é sem sentido que os atos terroristas deixaram de dizer algo pela palavra e passaram a ser apenas o ato, o acting out.  S. P. Rouanet diz que "os terroristas são agentes de uma ideologia religiosa extrema direita ... que funciona como ópio do povo..
O fascismo, tanto o de Estado dos fundamentalistas religiosos, como o que está pulverizado nos atos do cotidiano das relações humanas, é fanático porque desrespeita, desconsidera, é intolerante quanto ao modo de ser, pensar e agir do outro , é tradicionalista-fundamentalista.  Enquanto o fascista "quer o poder pelo poder", há o fanático "autêntico" que anseia dominar o mundo com sua crença, e o "fanático terrorista" que "deseja apenas destruir a estrutura de sustentação do inimigo". Mas, ambos, o fascismo e o fanatismo não são compatíveis com a democracia. Ambos pregam intolerância multirreligiosa, a intolerância multicultural e multirracial e usam o espaço de liberdade democrática para espalhar o seu ódio e sua crença.
                  O sentimento que no fundo sustenta o fanatismo e o fascismo não é a fé, nem o amor [Eros], mas o ódio [Thanatos] e a intolerância. O desejo do fanático "autêntico" é dominar o mundo com seu sistema de crença cheio de certeza. No plano psíquico, o lugar do recalque torna-se depósito de ódio e desejo de eliminar todos os que atrapalham o seu ideal de sociedade. Certa dose de paciência doutrinada o faz esperar-agindo para que a "idade de ouro puro" possa um dia acontecer.
                          São tão fanáticos os terroristas-suicidas muçulmanos como os fundamentalistas cristãos norte-americanos que atacam clínicas de abortos, perseguem homossexuais, proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin, obrigando aos professores ensinarem a doutrina criacionista tal como está na Bíblia, ou ainda, os protestantes da Irlanda do Norte que atacam crianças católicas ou os bascos que querem ser um país independente a qualquer preço, por meio do terror.
                         Alguns personagens "messiânicos" de nosso tempo, como Hitler, Idi Amin, Reagan, G. W. Bush, Sharon, os grupos dos martírios suicidas do Oriente Médio, entre outros, tem algo em comum: cada um se sente o escolhido para cumprir uma especial missão . Hitler discursou que "as lágrimas da guerra preparariam as colheitas do mundo futuro". G. Bush, na sua ânsia de guerra contra o ditador S. Hussein, não estaria delirando no mesma linha ? Não é sem sentido que os EUA, tem sido o solo fértil de seitas cristãs fanáticas. Uma delas, A Casa dos Filhos de Jeová, torce para o mundo se acabar logo, porque seus membros acreditam que depois surgirá uma nova civilização do Bem.

Compilado do texto de RAYMUNDO DE LIMA
Revista Espaço Acadêmico
Psicanalista,
 Professor do Departamento de Fundamentos da Educação (UEM) e
 Doutorando na Faculdade de Educação (USP)

domingo

"Anistia não" aqui Morre a Democracia Brasileira!

A presidente Dilma Rousseff se mostrou categoricamente contra a anistia dos policias grevistas da Bahia. "Por reivindicar, as pessoas não têm de ser presas nem condenadas, mas por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, crimes contra a pessoa e contra a ordem pública não podem ser anistiados".
"Se anistiar, aí vira um país sem regra." A presidente afirmou que o Brasil tem hoje uma visão de garantia da lei e da ordem muito moderna. "Nós não consideramos que seja correto instaurar o pânico, instaurar o medo e criar situações que não são compatíveis com a democracia."
Quando uma categoria de trabalhadores, é ludibriada por um governo, e tem suas condições de trabalho minimizadas ao ponto de, o trabalhador colocar sua própria vida em risco, para exercer suas atividades, o trabalhador obriga-se ir buscar, reivindicar por uma remuneração digna, e claro que qualquer greve, causa transtornos para alguém, e neste ponto, ninguém melhor que este governo Petista, que apoia e dá respaldo até hoje para o MST, (Movimento de Trabalhadores sem terra), que muitas vezes invadiram propriedades produtivas depredando seu patrimônio, e colocando literalmente seus proprietários para correr. Nesta “Ditadura Petista” que perdeu a vergonha na cara, que promete e não cumpre, que usa da mídia para ludibriar o povo, criando situações utópicas de bem estar geral, quando na verdade, é o que nós possuímos no Brasil, um Ministro caindo por dia, por corrupção, o menor custo beneficio, na relação impostos e qualidade de vida, possuímos a carga de impostos entre as maiores do planeta, e o retorno destes impostos são, vereadores e deputados com auto reajuste de 150%, o SUS (Sistema Único de Saúde)um elefante que só onera o trabalhador, e no qual o trabalhador morre a espera de um tratamento, rombos de milhões descobertos a cada semana em um canto ou outro do Governo, mensalões, impunidade para Políticos que são pegos com a mão na massa apropriando-se do que é publico, tanto que já não nos escandalizamos mais com isto,  já faz parte do nosso cotidiano de noticias, e agora esta “NOVIDADE”, trabalhador não pode mais reclamar por seus direitos , pois não pode incomodar a ordem publica com greves, mas isto é o fim, é um direito universal, de cada trabalhador reivindicar os direitos de suas categorias, se as regras mudaram foi agora desde instaurada esta Ditadura Petista, pois mesmo no período da outra ditadura, a menos hipócrita, que era a ditadura Militar(que sempre deixou claro quem eram e o que queriam)nós todos tínhamos este direito. A hipocrisia deste Governo petista, para mim ainda é alarmante, pois nestes trinta anos de PT, era comum passeata, piquetes de greve em frente às fabricas, greve geral nacional, estas não abalavam a ordem publica¿ ou é porque o PT não era governo! E convenhamos, com o passado histórico de nossa Presidenta, eu em seu lugar, ficaria de boca fechada, para não ser traído por ele.  

quinta-feira

Grevistas da Bahia Preparam-se para ação do Exercito.


Um dia depois do fracasso de um acordo que o governo estadual considerava iminente, o Exército reforçou seu cerco à sede da Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, que foi tomada na terça-feira da semana passada por um número ainda desconhecido de grevistas.
     
         Em declarações por telefone a uma rádio de Salvador, o líder dos grevistas, Marco Prisco,    afirmou que os policiais estão "se preparando" para a ação do Exército. Prisco disse ter percebido um posicionamento diferente dos aproximadamente 800 militares que cercam o prédio, especialmente pela chegada de mais veículos e o sobrevoo de helicópteros, e disse temer um possível confronto.
        Após os choques entre os militares e os policiais em greve registrados nos primeiros dias do cerco, a situação se tranquilizou na terça-feira e os grevistas até entregaram um bolo ao general Marco Gonçalves Dias, comandante da tropa enviada a Salvador, para festejar seu aniversário. As negociações, que contam com a intermediação do arcebispo de Salvador, Murilo Krieger, pareciam avançar satisfatoriamente e o governador da Bahia, Jacques Wagner, chegou a anunciar que estavam perto de um acordo. Mas a situação mudou após a estagnação das negociações e os militares, além de reforçar o bloqueio, cortaram a provisão de energia elétrica e suspenderam a autorização que tinham concedido para que familiares levassem remédios e alimentos aos agentes que permanecem no interior da Assembleia Legislativa.
          Fontes do governo da Bahia consultadas pela Agência Efe disseram que por enquanto não está previsto que as partes se reúnam nesta quarta, visto que estão analisando as propostas apresentadas. O governador da Bahia, em declarações a emissoras de televisão, reafirmou a proposta que apresentou aos grevistas para reajustar os salários imediatamente em 6,5% e conceder a eles uma série de pagamentos extras até 2015, que elevariam os salários em até cerca dos 30% reivindicados. "Fizemos um esforço muito grande para garantir a GAP 4 a partir de novembro. Essa despesa (GAP 4 e 5) representa mais de R$ 170 milhões, é parte significativa do Orçamento.
 Agora eu só posso esperar que cada policial entenda que o estado tem um limite e não frustre a população da maior festa popular do mundo (o carnaval)", afirmou Wagner. A greve preocupa as autoridades não só pelo aumento da insegurança, mas também pelo possível impacto econômico que pode ter em Salvador, cidade que espera dezenas de milhares de turistas para o carnaval.
        É visto a total falta de tato da administração Petista, para negociar a greve com os policiais, agora para obter algum respaldo da População, chantageia com a possibilidade de não acontecer o tão famoso carnaval Baiano, levando a opinião publica a ficar contra a legitimidade da  greve, dos policiais. Lamento o Governador Jacques Wagner ter esquecido as respostas e o modo de acabar com a greve, pois em 2001, ele e o ex-presidente Lula, sabiam as respostas, e afirmavam categoricamente, qual era o caminho das pedras para acabar com o impasse. 

quarta-feira

Movimento " Desocupa Wagner" já esta na rede.

Com o crescimento da violência por conta da greve da PM baiana, internautas lançaram, nas redes sociais, o movimento “Desocupa Wagner”. O movimento promete ganhar as ruas, a exemplo do “Desocupa Salvador”, que pede a saída do prefeito João Henrique Carneiro e a revogação da Lei de Ocupação, Uso e Ordenamento do Solo (Louos), sancionada este mês.
O Movimento DESOCUPA! nasceu a partir da crescente insatisfação da população de Salvador com os desmandos e desvarios da administração municipal, sobretudo no que diz respeito à venda da cidade aos interesses privados. Não possui vinculação partidária nem apoios financeiros de nenhuma espécie. A força deste movimento emerge diretamente dos cidadãos soteropolitanos que se cansaram de sentir vergonha da cidade que amam.
Um caso que acabou se tornando emblemático foi o do CAMAROTE SALVADOR, que simplesmente ocupou a Praça de Ondina com o aval do poder público ante pagamento de R$250 mil por ano (uma esmola diante do faturamento de cerca de R$66 milhões previstos) e uma reforma na Praça. Pouco tempo depois de ter finalizado a reforma, a empresa fechou a Praça com tapumes para a “obra do CAMAROTE SALVADOR”, quase três meses antes do carnaval.
O intenso debate sobre o assunto nas redes sociais levou à convocação de uma manifestação pública de repúdio à privatização dos espaços públicos pela Prefeitura de Salvador. O protesto, que foi chamado de “DESOCUPA Salvador!”, foi proibido pela Justiça, a partir de uma ação movida pela Premium Produções Criações Artísticas e Eventos Ltda, que via na manifestação risco de depredação de seu patrimônio e preocupação com a integridade física (!) de seus funcionários. A jornalista Nadja Vladi foi apontada como líder do movimento sem nunca tê-lo proclamado e ainda está sendo processada por conta do episódio.
A despeito da censura decretada pela Justiça, que parece esquecer-se de que vivemos num estado democrático onde a liberdade de expressão é garantida na Constituição, ninguém se intimidou. No dia marcado, mais de 500 pessoas foram à frente do Camarote gritar ‘DESOCUPA! A Praça é do Povo”, apesar da forte chuva e de a manifestação ter sido oficialmente PROIBIDA.
Apenas três dias depois, a população de Salvador recebe em estado de choque a notícia de que o desprefeito, o Sr. João Henrique Barradas Carneiro, que estava nos Estados Unidos, havia aterrissado em Salvador e em poucas horas, sancionado as alterações criminosas que foram feitas à LOUOS (Lei de Ocupação, Uso e Ordenamento do Solo) na Câmara Municipal por uma lamentável maioria de vereadores vendidos ao interesse privado.
O desprefeito ignorou e desrespeitou o Ministério Público, que ameaçou acioná-lo criminalmente caso ele sancionasse a LOUOS, na medida em que as alterações que foram feitas à lei não passaram de manobras destes vereadores subservientes aos interesses do capital privado para viabilizar a qualquer custo emendas polêmicas do PDDU da Copa, que teve sua tramitação barrada pela Justiça por conta do desrespeito sistemático aos mecanismos de participação previstos para uma legislação desta natureza.
“A LOUOS foi questionada judicialmente porque o texto aprovado pela Câmara de Vereadores contém emendas que alteram artigos do PDDU,  o que não é legal, segundo o Ministério Público. Ainda segundo o órgão, a mudança só poderia ser feita diretamente no texto do PDDU e mediante a realização de audiências públicas e com aprovação no Conselho da Cidade, que, embora esteja previsto na lei, nunca foi posto em prática pela prefeitura.
Entre as emendas aprovadas, está a que reduz os poderes e representatividade do Conselho da Cidade e do Conselho Municipal do Meio Ambiente. Está sancionada também a ampliação do gabarito da orla marítima, permitindo a construção de prédios de até 27 pavimentos (54 metros) e permitindo que os edifícios exerçam sombreamento nas praias antes das 10 horas e a partir das 14 horas. Também virou lei a extinção do Parque Ecológico do Vale Encantado, área de reserva de mata atlântica, com um milhão de metros quadrados, localizada entre a Avenida Paralela e a orla; e a criação de nove perímetros destinados à construção de hotéis – do Lobato, no subúrbio ferroviário, a Itapuã.” (Jornal A Tarde)
Depois de ter sancionado a lei sem dar nenhum tipo de explicação à sociedade, o desprefeito fugiu para a Europa. Por certo, contava com a nossa passividade, mas a população de Salvador resolveu dar-lhe um troco.
O evento “DESOCUPA A PREFEITURA, João“, convocado no início da manhã seguinte, explodiu nas redes sociais e cerca de 3.700 soteropolitanos demonstraram apoio à iniciativa. Rapidamente, começaram a aparecer dezenas de cartazes produzidos espontaneamente e sem nenhum tipo de liderança. Estava provado que as alterações criminosas que foram feitas à LOUOS foram a gota d’água: a indignação dos cidadãos soteropolitanos transbordou.
Dois dias depois da fuga do desprefeito para a Espanha, mais de 1.000 pessoas (segundo cálculos da Polícia Militar divulgados pelo Jornal A TARDE) foram à Praça Municipal mostrar sua indignação em relação ao caos da administração pública municipal, cuja fragilidade política, moral e institucional configuram o ambiente perfeito para a atuação predatória do capital privado, sobretudo dos setores imobiliários, e mais recentemente, também da Indústria do Carnaval, chegando ao ponto em que a Prefeitura se sente dona do espaço que é do Povo e revolve alugá-lo para o CAMAROTE SALVADOR sem qualquer tipo de consulta. Participação popular, aliás, nunca foi o forte desta gestão, apesar do slogan cínico ‘Prefeitura de Participação Popular’ do primeiro mandato.
A segunda manifestação, que ocorreu numa tarde ensolarada da Velha Bahia, foi uma verdadeira declaração de amor à cidade de Salvador .
Estiveram presentes pessoas de todas as classes sociais, jovens, adultos, idosos e até mesmo crianças. Subimos a escadaria da Prefeitura para lembrar à corja que lá está confortavelmente instalada que o Poder Público Municipal deve representar os NOSSOS interesses e não os das empresas.
Depois disso houve a queima de um boneco de Judas que representava o desprefeito vendido ao interesse privado. Também não faltaram declarações de indignação e de amor à cidade de Salvador durante as cinco horas de duração do protesto.
A vitoriosa manifestação do dia 20.01.2012 foi uma demonstração de força da chamada PRIMAVERA BAIANA, 
 Vereadores e governador Jacques Wagner: prestem atenção à nossa voz. A indiferença de vocês só fará com que nossa indignação cresça de forma exponencial. Lembrem-se de que este é um ano eleitoral e nós faremos de tudo para impedir que os traidores do povo de Salvador retornem ao poder.

                            EM SOLIDARIEDADE AO MOVIMENTO DESOCUPA